segunda-feira, 29 de junho de 2026

Se o Salario do Pecado á a Morte, por que Enoque e Elias não Morreram?


Como você mencionou, corretamente, a morte é o "salário do pecado" (Romanos 6:23) e que "aos homens está ordenado morrerem uma só vez" (Hebreus 9:27). Contudo, esses textos estabelecem a norma geral para a humanidade caída. Eles não estabelecem um limite para a autoridade de Deus.

Enoque e Elias não foram "exceção" porque eram mais santos que Davi ou João Batista (que morreram), mas porque Deus, em Seu conselho eterno, decidiu realizar um sinal profético através deles. Eles não escaparam da morte por mérito ou por uma "fé superior" que anularia a natureza humana; eles foram preservados pela soberania especial de Deus, que pode retirar alguém da história sem passar pelo processo da morte física, assim como fará com a Igreja viva no arrebatamento.

Sobre Enoque, o autor de Hebreus nos dá a chave: "Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte... pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus" (Hebreus 11:5).

A fé de Enoque não foi o mecanismo que cancelou a morte, mas o meio pelo qual ele agradou a Deus. A trasladação de Enoque foi um testemunho antecipado, no período antediluviano, de que a comunhão íntima com o Senhor rompe as barreiras do curso natural da história. Ele foi um "sinal" de que Deus tem o poder de transpor um homem deste mundo para a Sua presença gloriosa.

No caso de Elias, vemos algo mais específico. O ministério profético alcançou em Elias um ápice. Sua partida sobrenatural em um redemoinho não foi apenas uma recompensa, mas a confirmação divina de sua autoridade profética. Ele não "venceu" a morte por mérito; ele foi tomado por Deus. É importante notar que, em nenhum momento das Escrituras, lemos que Elias deixou de ser humano ou que o pecado deixou de habitar nele. A morte é apenas uma forma de saída deste mundo; Deus simplesmente escolheu uma "porta" diferente para esses Seus servos.

O fato de eles não terem morrido não contradiz a doutrina da queda ou a universalidade da morte. Pelo contrário, eles apontam para a Ressurreição.

Ao retirar Enoque e Elias da história, Deus nos dá vislumbres da nossa própria esperança: o pecado foi vencido por Cristo, e a morte não tem a última palavra. Eles são as "primícias" de uma verdade que será completa em Cristo: a morte foi derrotada, e aquele que está em Deus tem uma vida que transcende o túmulo.

A fé deles não foi suficiente para "comprar" a imortalidade física, mas foi suficiente para que fossem achados na vontade de Deus quando o chamado para a eternidade chegou. Eles não morreram; apenas foram "transferidos". E nós, pela fé em Cristo, teremos a nossa própria trasladação (ou ressurreição) no dia do Senhor.

Conforme I Tessalonicenses 4:16-17, haverá um outro momento onde pessoas serão levadas por Deus sem passarem pela morte.

Espero que isso traga clareza ao seu coração.


 

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